segunda-feira, 30 de março de 2020

Qual é a importância de um treinador para a evolução, correção e amadurecimento de um atleta dentro de campo?

   
Um treinador deve ser totalmente capaz de trabalhar com seus jogadores no que se  diz respeito a evolução, e em tudo que essa palavra pode significar dentro do mundo do futebol. É de total responsabilidade de um treinador lapidar um atleta,  e isso independe do mesmo ter vindo das categorias de base com fundamentos pouco ou mal trabalhados por quem o treinou. Não quero de maneira alguma isentar a responsabilidade ou menosprezar o trabalho de um treinador de categorias de  base, mas não posso também, ignorar o fato que muitos atletas sobem com bastantes problemas para serem resolvidos quando já estão no profissional.
A maneira de conduzir a bola, como se posicionar em  campo e seu corpo ao receber um passe, a hora certa de acelerar o jogo, o   momento certo de cadenciar, quando buscar o drible, como pressionar e cercar um atleta adversário  que esteja com a posse da bola, como cabecear e finalizar, como fechar os espaços, como atrair a marcação do adversário para confundir e desmontar o sistema defensivo, a leitura de jogo para entender inúmeros acontecimentos dentro de um jogo, quando o adversário ou seu time   altera sua tática, quando trocar de posição com seu companheiro, enfim, os fundamentos de um jogador passam desde a parte técnica, física, e aqui eu usaria o termo inteligência como um fundamento indispensável de um bom jogador.
Guardiola entende tudo isso e muito mais, o que ele vem promovendo em cada time que passa será e está sendo de extrema importância para que o futebol fora das quatro linhas amadureça e reconheça uma série de  equívocos e mudanças que devem ser realizadas na postura e capacitação de um treinador. A maturação de um talento como Messi, fazer com que Iniesta e Xavi jogassem juntos, o que não era de confiança da imprensa mundial que seria tão produtivo, maravilhoso e fundamental como foi, fazer com que um atleta mesmo tendo atingido os 30 anos como o caso de Lahm viesse a evoluir mesmo já provando para o mundo toda sua competência, porém, aceitando as instruções e mudança tática dentro de campo propostas por Guardiola, provam o quanto o mundo do futebol carece de pessoas que pensam "fora da caixinha".

 A imprensa inglesa e mundial reconheceram o talento que Sterling tinha ao surgir no Liverpool, no entanto, o craque inglês ainda precisava de lapidação em suas finalizações, maneira de conduzir e receber a bola, tomada de decisão, entre outras coisas. O que a imprensa fez? começaram a ridicularizar e dizer que o jogador não daria em nada, porém, Guardiola sabia que o inglês precisava era de um bom acompanhamento e instruções para que todo o talento viesse a se fortalecer e mostrar para todo o mundo que  "o buraco era mais embaixo". Era um ponta extremamente talentoso, técnico e veloz, mas, pecaram em vários aspectos em sua formação e Sterling foi "salvo " pelo treinador espanhol.

Querem a prova? Não digo que só os números, embora eles sejam bastantes animadores e demonstram o quanto um trabalho bem feito com um jogador pode mudar a vida dele para sempre. A postura dentro de campo de Sterling desde a chegada do   treinador catalão é outra, joga aberto dos dois lados, se posiciona para receber a bola de frente para seus adversários, tira proveito da técnica e velocidade para atrair a marcação e enfrentar o um contra um, sabe fazer gols chegando por trás da zaga, sabe se posicionar entre o zagueiro e o lateral, finaliza, passa, cruza, e toma as decisões de maneira assustadoramente superior ao Sterling do Liverpool.
Vamos aos números:
Sterling fez 23 gols em 129 jogos com a camisa do Liverpool. Só nessa temporada que não terminou devido ao covid19, são 20 gols em 39 jogos.

Temporadas pelo Liverpool
12/13: 38 jogos, 3 gols e 6 assistências
13/14: 33 jogos, 9 gols e duas assistências.
14/15: 35 jogos, 7 gols e 6 assistências.

Temporadas pelo City, lembrando que a primeira Guardiola ainda treinava o Bayern.
15/16 47 jogos, 11 gols e  10 assistências
16/17 47 jogos, 10 gols, 20 assistências
17/18 46 jogos, 23 gols e 17 assistências
18/19: 51 jogos, 25 gols e 18 assistências.
19/20, 39 jogos, 20 gols e 7 assistências
Dados retirados do site Transfermarkt.
São 73 gols e 62 assistências  no período treinado por Guardiola até aqui, ou seja, Sterling participou diretamente de 135 gols do City nesse período.
Os números demonstram uma evolução e amadurecimento do atleta, claro que a idade ajuda, porém, o principal foi e tem sido todo o trabalho de Guardiola e sua comissão técnica, Arteta inclusive  foi muito importante antes de sua saída rumo ao  Arsenal   para a realização dessa evolução.

sábado, 28 de março de 2020

Barcelona Que Só Tem Olhos Para Messi


O futebol é um lugar que não tem margem para maiores compreensões além dos "meros" resultados. Quase tudo é pautado no débito e crédito que um jogador estabelece  durante uma temporada ou sua
carreira. Hoje colocarei em pauta o que eu  considero  uma das maiores injustiças no futebol europeu nas duas últimas temporadas, a contratação e desprezo do Barcelona por Coutinho.

É fato inegável que o futebol precisa de resultados, afinal, o dinheiro para manter um clube competitivo é muito alto, e quem assim o investe  necessita e exige resultados. Coutinho chegou a
Catalunha por um valor exorbitante, o que aqui eu considero o ponto de partida do problema, explico:
Todo investimento na aquisição de um atleta quando é feito como foi o caso de Coutinho, Kaká e alguns outros que foram comprados por valores altíssimos  e não corresponderam conforme o esperado, Kaká por conviver com uma série de lesões que o fizeram render abaixo de  suas expectativas no Real Madrid, Coutinho muito mais por um treinador que não soube lhe dar com a situação e explorar o máximo rendimento do atleta, geram uma pressão  em cima do jogador que acabam sendo muito mais prejudicial e o atrapalham além dos outros fatores, mudança de cidade, de treinador, estilo de jogo, adaptação na nova equipe dentre tantas outras coisas. Quando um atleta por melhor nível que tenha desembarca em um clube custando um valor altíssimo, ele entra em campo com débitos e praticamente nem um crédito por melhor que possa ter sido o seu passado recente, e qualquer atuação, período ou temporada que não corresponda com o valor investido, é o suficiente para uma diretoria, imprensa e torcida o cuspirem fora. Reitero o quão isso é desprezível dentro do futebol e faz com que carreiras de atletas  talentosos sofram quedas bruscas e até, caiam num limbo total.
No primeiro semestre Coutinho foi muito bem, seu rendimento caiu na segunda temporada, e aqui que mora para mim o maior problema de um treinador e inclusive em específico,
a maneira como o Barcelona tem lidado com seus atletas, em especial, todos aqueles que o time catalão contrata esperando resolver todos os problemas em pouco tempo e se assim não o acontece, se tornam totalmente descartáveis.
Coutinho quase sempre no Liverpool jogou como o camisa 10 por dentro no meio campo, além de muitas vezes  cair pela esquerda tendo a diagonal livre para puxar para dentro e bater para o gol ou
continuar a criação de um ataque. Qual foi o problema em Barcelona?
Quanto mais eu estudo filosofia mais chego a conclusão que nem uma resposta  é simples, porém, embora tudo o que possa permear uma situação como essa, os maiores pontos que considero para que a queda do meio-campista brasileiro acontecesse e a maneira injusta, insensível e  insensata com que o Barcelona lidou com a situação, são as seguintes:
1 - Messi
Que Messi é um gênio todos nós sabemos, e que a culpa não é diretamente dele mas  tem relação, poucos  conseguiram fazer essa leitura. Messi tem a liberdade de "reinar" por dentro do ataque do Barcelona mesmo  jogando com um centroavante, Messi  pode vir de traz como um legítimo camisa 10 armando as jogadas de ataque de seu time, assim como entrando na área para concluir e tendo uma
liberdade e um espaço no qual é totalmente dele. Sabemos que o argentino também pode cair pelos lados, muito mais pela direita como foi em toda sua carreira, porém, todo esse espaço ocupado pelo
argentino é   justamente o ponto de conflito com a área de atuação do brasileiro. Certamente você deve estar se perguntando "qual é teu problema, criticar Messi ou tirar Messi do seu conforto para um
atleta de menor história e relevância na Catalunha?". Não é o que eu estou querendo. O que era necessário  era encontrar um ponto de equilíbrio no qual Messi e Coutinho pudessem render o máximo possível, coisa que Guardiola faz muito bem ao fazer com que um atleta consiga elevar o nível de atuação de outro, sabemos que nem sempre isso é possível, o próprio Bayern de Guardiola por algum motivo nunca conseguiu jogar o esperado com Xabi Alonso e Schweinsteiger atuando juntos como volantes. No entanto, não podemos ter essa conclusão aqui porque as tentativas na minha opinião não foram as suficientes e também, faz uns bons anos que não vejo alguma contratação realizada pelo Barcelona para atuar na parte ofensiva, render o esperado. Neymar na minha opinião foi o último que conseguiu esse feito, principalmente por atuar mais pelo lado esquerdo e não ser um "conflito " de espaços com Messi. O único jogo em que Coutinho marcou  três gols pelo Barcelona, na derrota por 5x4 para o Levante, Messi não atuou. Jamais estou querendo levantar a hipótese que Messi e Coutinho não são compatíveis para jogar juntos, o princípio desse levantamento é mostrar o maior problema que na minha humilde opinião, não foi bem lido e trabalhado  pela comissão técnica do Barcelona.
Coutinho não é um ponta, tem técnica, uma certa velocidade e o drible, mas é muito mais camisa 10, meia de criação, armação, assistências e chutes de fora da área, e também com boas chegadas dentro da área para concluir a gol, mas não é um ponta.
Eu diria que a solução para esse problema, além da questão psicológica por a imprensa esportiva e em especial, a catalã destruir tudo e todos que não são Messi, seria a tentativa de jogar com Messi e
Coutinho por dentro, dois pontas abertos, e um centro avante , além  de um volante de muita marcação e qualidade no passe para jogar atrás do brasileiro e argentino. Outra alternativa era colocar
Messi mais deslocado pela direita  por onde ele muitas vezes jogou e jogou bem, Coutinho por dentro e outro ponta pela esquerda,  podendo nesse caso jogar  com dois volantes para ter mais marcação e
um deles tendo a liberdade de encostar no meio campo  podendo  inclusive jogar ao lado de Coutinho nos momentos ofensivos.

2 - valor investido e pressão
Como mencionei anteriormente, o valor investido em cima de um  atleta pode gerar uma pressão insuportável e prejudicar todo o  rendimento dentro de campo, principalmente quando direção, imprensa e torcida tão pouco fazem essa leitura e só tratam os atletas como máquinas a trazerem resultados e troféus,  darem passes e   fazerem gols.  O quanto um jogador ganha  não é o suficiente para resolverem todos os problemas dentro e fora de campo, se fosse assim, não teriam  tantas pessoas famosas e ricas com todos aos seus pés, se matando ou entrando no mundo das drogas por terem um vazio sem fim dentro de si. O papel de um treinador, e não que Valverde  não tenha feito uma ou outra vez, mas acho que foi muito pouco, é defender seu atleta com unhas e dentes, pelo menos, se assim ele o acredita.
Não importa o que a torcida ou imprensa estejam falando, quase sempre o papel das mesmas  é mais de "atirar pedras" do que tentar fazer uma leitura mais realista, compreensiva e humana da coisa toda.
Se todo  mundo para de acreditar num atleta ou exagera nas críticas e pouco olha para as coisas boas e positivas e espera o trabalho  do dia a dia resolverem algumas situações que podem ser passageiras, tudo isso aliado a pressão que o próprio jogador enfrenta ao  vestir uma camisa de peso custando um caminhão de  dinheiro, ajudam a desmoronar o psicológico e a confiança do jogador. É muito melhor um atleta jogar com algum problema físico mas com a confiança lá em cima, do que o contrário, um jogador 100 por cento fisicamente mas com a confiança baixa e pressionado para  dar certo porque  custou muito dinheiro, resultam no que vimos recentemente no Barcelona.

3 - Crédito e débito
O Barcelona foi duas vezes duramente eliminado da champions em duas derrotas catastróficas. Messi esteve em campo nas duas e não jogou nada em ambos os casos, sem falar que o treinador e boa parte dos outros atletas, eram os mesmos. O que a imprensa catalã fez na segunda eliminação frente ao Liverpool na qual Coutinho estava em campo? Detonou o brasileiro, que diga-se de passagem, jogou melhor do que Messi  na eliminação dando alguns chutes ao gol defendido por Alison . A imprensa achou um "cachorro morto" perfeito para bater, mas esqueceram que o treinador escalou um time totalmente diferente da cara do Barcelona só por terem vencido o primeiro jogo por três a zero acreditando que poderia segurar o resultado, sendo que historicamente e principalmente nos últimos cinco anos, o Barcelona tem um sistema defensivo e uma defesa que são uma peneira, sem citar que a filosofia de jogo do Barcelona jamais é jogar sem a posse da bola, talvez em algumas pontualidades, mas não para segurar um Liverpool muito bem treinado por Klop   . O melhor remédio seria o Barcelona jogar com seu DNA próprio, não que o Liverpool não tenha tido méritos ao encurralar o time Catalão na defesa, Mas Valverde contribuiu e muito para isso e Messi também foi passível nesse e no ano anterior no jogo contra a Roma, de duras criticas por ter feito duas partidas totalmente apagado. mas o  crédito do argentino é tanto que jamais a imprensa que o endeusa  o criticaria mesmo que  tenha feito duas partidas pífias, diferente de Coutinho que era um "novato" no time e tinha custado muito dinheiro, o que significa que toda partida ele entrava com "débitos".

4 - Apenas um treinador
Coutinho deixou o Barcelona sendo apenas treinado por um treinador, o que na minha opinião reforça a minha ideia que ele ficou muito pouco tempo na equipe para considerarem que o  brasileiro foi um
fracasso, aliás, Valverde já deixou a equipe o que estava bem evidente que aconteceria.  Talvez um outro treinador conseguisse extrair mais do brasileiro e fazer com que o quadro fosse revertido, mas
a falta de paciência e racionalidade da direção catalã, não o permitiu. Se um jogador custou tanto dinheiro e ainda não rendeu o esperado, o mais racional a se  fazer era encontrar os principais
problemas para serem resolvidos e tentarem por mais tempo um rendimento de alto nível, afinal,  vendê-lo não será  fácil, não por falta de qualidade, mas por questões financeiras de um possível
comprador. O empréstimo não é um bom caminho, retorna pouco dinheiro para o clube e não ameniza nem um problema, e mantém o atleta longe da Catalunha sem a tentativa de recuperá-lo.

5 - O Barcelona só tem olhos para Messi
Enquanto Messi jogar e espero que seja  por muito tempo porque o argentino é um craque, o Barcelona não terá olhos para mais ninguém, está certo que estão de olho na volta de Neymar há muito tempo
porque gostam do brasileiro, mas,  o time pouco demonstra empenho em manter outros atletas  ou em recupera-los  quando é necessário. Uma coisa é certa, o Messi tem mais passado do que futuro dentro de
campo, e no dia que o argentino resolver deixar os gramados ou por algum motivo partir para um  novo desafio, o Barcelona vai sentir o que é uma queda livre, e muito mais por culpa de seus dirigentes
que só enxergam  Messi em sua frente.